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	<title>objeto - Teia Critica</title>
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	<title>objeto - Teia Critica</title>
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		<title>Obscuros sentidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Thiago Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Mar 2024 11:22:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Textos]]></category>
		<category><![CDATA[Cildo Meireles]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Além dos estados líquidos e sólidos, porque não tentar trabalhar a língua em estado gasoso?! João Guimarães Rosa[1] Em outubro de 1983, Cildo Meireles inaugurava a exposição Obscura luz. Primeiramente na Galeria Saramenha, no Rio de Janeiro, onde permaneceu em cartaz do dia 3 ao 17, e em seguida na galeria Luisa Strina, em São [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p></p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p><em>Além dos estados líquidos e sólidos, porque não tentar trabalhar a língua em estado gasoso?!</em></p>
<cite> <strong>João Guimarães Rosa<a id="_ftnref1" href="#_ftn1"><strong>[1]</strong></a></strong></cite></blockquote>



<p>Em outubro de 1983, Cildo Meireles inaugurava a exposição <em>Obscura luz</em>. Primeiramente na Galeria Saramenha, no Rio de Janeiro, onde permaneceu em cartaz do dia 3 ao 17, e em seguida na galeria Luisa Strina, em São Paulo, do dia 11 ao 31, contando com outros exemplares dos mesmos trabalhos. São eles: o objeto que dá título à exposição, <em>Obscura luz </em>(1982); dois trabalhos da série <em>Objetos semânticos</em>, que são <em>Porta-bandeira</em> (1981) e <em>Percevejo/cerveja/serpente</em> (1980); e três trabalhos intitulados <em>Parla</em> (1982), <em>Inmensa</em> (1981) e <em>Desaparecimentos</em> (1982).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="430" height="645" src="https://teiacritica.com.br/wp-content/uploads/2023/03/CILDO-MEIRELES-desaparecimentos1-1.jpg" alt="" class="wp-image-2761" srcset="https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2023/03/CILDO-MEIRELES-desaparecimentos1-1.jpg 430w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2023/03/CILDO-MEIRELES-desaparecimentos1-1-200x300.jpg 200w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2023/03/CILDO-MEIRELES-desaparecimentos1-1-80x120.jpg 80w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2023/03/CILDO-MEIRELES-desaparecimentos1-1-333x500.jpg 333w" sizes="(max-width: 430px) 100vw, 430px" /><figcaption class="wp-element-caption">Detalhe de &#8220;Desaparecimentos&#8221;, de 1982, um dos trabalhos que integrou &#8220;Obscura luz&#8221;</figcaption></figure></div>


<p>Além dos objetos, o artista apresentou três performances inéditas, realizadas por atores nas duas aberturas: <em>Aladim</em>, <em>Malabarista</em> e <em>Trabalho zero</em> (também conhecido como <em>Estivador</em>). <em>Aladim</em>, sentado de pernas cruzadas, atritava dois pedaços de madeira para tentar produzir fogo. O <em>Estivador</em> sustentava nas costas, imóvel, um saco pesado. O <em>Malabarista </em>movimentava bolas no ar. As ações funcionavam naquela exposição como uma espécie de linha-de-passe, fazendo os significados dos trabalhos circularem, segundo o texto de apresentação do poeta João Moura Jr., presente no catálogo da mostra. O crítico Frederico Morais, concordando com o poeta, reforça em um texto para o Jornal O Globo<a href="#_ftn2" id="_ftnref2">[2]</a> que as três performances são como legendas para os trabalhos. Mais do que isso, são também, para Morais, responsáveis por explicitar a dimensão política da exposição e sua contextualização na realidade brasileira, uma vez que, nos trabalhos expostos, a dimensão poética aparentemente sobressai sobre a política. Tão poéticos quanto políticos sempre foram os trabalhos de Cildo, como <em>Tiradentes – Totem-monumento ao preso político</em> (1971), <em>Zero Cruzeiro</em> (1974-78) ou <em>Fiat Lux – Sermão da montanha</em> (1979). Mas se esses exemplos da década de 1970 fornecem imagens que imediatamente violentam, profanam ou afrontam, bem como títulos que denunciam sua intencionalidade política, os trabalhos apresentados em <em>Obscura luz</em> apostam na sutileza da linguagem visual e verbal.</p>



<p>Como em seus trabalhos das décadas de 1960 e 1970, Cildo segue se apropriando de objetos e imagens que são banais, familiares. Paradoxos e ironias, sempre presentes em seus trabalhos, possuem presença constante em <em>Obscura luz</em>. O que pode ser sentido como uma dobra em seu trabalho, consolidada pela exposição, é o modo de lidar com a linguagem e a materialidade a partir da experiência dos <em>Objetos semânticos</em>. Veremos a seguir como isso opera em cada trabalho da exposição.</p>



<p><em>Percevejo/cerveja/serpente</em> e <em>Porta-bandeira</em> são os dois únicos trabalhos da exposição que de fato pertencem aos <em>Objetos semânticos</em>. Essa série de Cildo, também composta por outros objetos não presentes na exposição, como <em>Dados </em>(1970) e <em>Resposta</em> (1974), consiste em trabalhos que são atrelados à palavra, sendo imprescindível a articulação com seus respectivos títulos para a fruição. <em>Percevejo/cerveja/serpente</em> é composto por três ripas de madeira de baixo valor, que possuem, cada uma, em sua extremidade, um pequeno objeto de ouro com formatos diferentes. Uma minúscula tachinha identifica a ripa “percevejo”, uma argola de abrir latas caracteriza “cerveja” e dois dentes de cobra nos sugerem “serpente”. O título do trabalho, e em especial sua sonoridade, remete aos verbos perceber, ver e ser e às conjugações vejo, na primeira pessoa do singular, e veja, no imperativo. O que se percebe, o que se vê e o que de fato é são questões provocadas não apenas por esse trabalho, no qual há um jogo de valores e hierarquias em sua materialidade, como também em todos os outros de <em>Obscura luz</em>. São três perguntas que norteiam a exposição. &nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img decoding="async" width="300" height="400" src="https://teiacritica.com.br/wp-content/uploads/2024/03/percevejo-cerveja-serpente.jpg" alt="" class="wp-image-2955" srcset="https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/percevejo-cerveja-serpente.jpg 300w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/percevejo-cerveja-serpente-225x300.jpg 225w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/percevejo-cerveja-serpente-80x107.jpg 80w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/percevejo-cerveja-serpente-18x24.jpg 18w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/percevejo-cerveja-serpente-27x36.jpg 27w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/percevejo-cerveja-serpente-36x48.jpg 36w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;Percevejo cerveja serpente&#8221; &#8211; palíndromos e discussão sobre valor</figcaption></figure></div>


<p>Já <em>Porta-bandeira</em> consiste em um mastro, oco em seu interior, com dois pequenos orifícios por onde é possível observar as pontas de um tecido que lhe escapam, uma suposta bandeira que nele é armazenada – é o que concluímos ao ler o título do trabalho. <em>Porta-bandeira</em>, nome que de imediato evoca a imagem de um sujeito que cumpre uma função comum em cerimônias militares ou no carnaval – tornar visível e ativar uma bandeira – aqui designa um objeto inerte que faz o oposto – torna invisível, esconde.</p>



<p>Os dois <em>Objetos semânticos</em> são “legendados” pelo <em>Malabarista</em>. A circularidade no jogo entre as palavras, seus significados e os objetos é traduzida no gesto do ator.</p>



<p>Se na série<em> Objetos semânticos </em>a articulação entre o trabalho e o título é imprescindível, isso não quer dizer que nos outros trabalhos, mesmo não havendo a mesma necessidade, essa interlocução não seja desejada. Tomemos como exemplo <em>Parla</em>: trata-se de um bloco de granito, posto sobre uma cadeira de madeira e couro, aludindo à imagem de uma pessoa sentada, diante de três blocos mais baixos feitos com o mesmo material, com formato similar a um pequeno banco, porém vazio. O formato rígido e rigorosamente geométrico do granito pode parecer dialogar com as esculturas minimalistas da década de 1960, mas a célebre frase de Frank Stella, “O que se você vê é o que você vê”, é o que há de mais oposto aos trabalhos de Cildo Meireles, que, sobretudo na mostra <em>Obscura luz</em>, nos fazem desconfiar daquilo que vemos. Com <em>Parla</em>, o artista produz um curto-circuito na história da arte. O título rememora a frase supostamente dita por Michelângelo (segundo a narrativa de Giorgio Vasari<a id="_ftnref3" href="#_ftn3">[3]</a>) ao finalizar sua escultura de <em>Moisés</em>, clamando que a obra, tão aparentemente viva, falasse. Mas a imagem que vemos em <em>Parla</em> é de total imobilidade, frustrando qualquer expectativa de vivacidade, e de mudez, contradizendo o próprio título. Ainda buscando referenciais na história da arte, podemos nos deparar com <em>O</em> <em>pensador</em> de Auguste Rodin, outra obra prima da escultura, representativa de um período em que a noção de arte se remodelava adquirindo sentidos radicalmente diferentes daqueles da era de Michelângelo – lembremos ainda que Rodin é considerado pela crítica Rosalind Krauss o primeiro artista a desconstruir a lógica clássica da escultura europeia.<a id="_ftnref4" href="#_ftn4">[4]</a> Evocando a imagem d’<em>O</em> <em>pensador</em> em seu estado de reflexão, reconfigurado nos mudos blocos de granito, somos provocados a esperar da obra não a fala, mas a escuta. Somos nós quem construímos seus sentidos por meio do discurso. O imperativo <em>parla</em>, ou fala, é direcionado ao espectador – tal como o “veja” de <em>Percevejo/cerveja/serpente</em>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img decoding="async" width="451" height="480" src="https://teiacritica.com.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-parla.jpg" alt="" class="wp-image-2959" style="width:689px;height:auto" srcset="https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-parla.jpg 451w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-parla-282x300.jpg 282w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-parla-80x85.jpg 80w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-parla-34x36.jpg 34w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-parla-45x48.jpg 45w" sizes="(max-width: 451px) 100vw, 451px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;Parla&#8221;: curto-circuito com história da arte e diálogo com Michelângelo e Rodin</figcaption></figure>



<p><em>Inmensa </em>(do latim <em>in mensa</em>, em português na/sobre a mesa) é um trabalho montado de maneira modular, onde mesas e cadeiras de madeira pequenas sustentam outras, que são progressivamente maiores e mais pesadas. A composição forma uma estrutura arquitetônica onde noções de equilíbrio e hierarquia são questionadas, uma vez que a base da construção é menor e mais frágil. Os objetos pequenos e supostamente fracos sustentando os de maior peso e medida refletem dinâmicas existentes nas relações sociais e de poder.</p>



<p><em>Parla</em> e <em>Inmensa</em> dialogam com a performance <em>Trabalho zero</em>. Se para física o trabalho é calculado a partir da força e do deslocamento, se não há deslocamento não há trabalho. O estivador, segurando um pesado saco de grande peso sem, no entanto, se deslocar, não estaria realizando um trabalho, de acordo com a física. Sua imobilidade evoca <em>Parla</em> enquanto seu esforço para sustentar o peso evoca <em>Inmensa</em>.</p>



<p>O trabalho-título da exposição também carrega um paradoxo. Como poderia a luz ser obscura? Na superfície de uma caixa branca instalada na parede vemos a imagem de uma lâmpada formada pela sua própria sombra – composta, portanto, pela condição negativa da luz, sua ausência. Não vemos a lâmpada, cuja presença no interior da caixa é apenas sugerida pela sua sombra, assim como não é visível para o espectador a origem do feixe de luz que ilumina a caixa e projeta a sombra da lâmpada. O objeto funciona como uma lanterna mágica, dispositivo antecessor do cinema e dos modernos aparelhos de projeção de imagem, inventado ainda no século XVII, que era capaz de projetar imagens pintadas sobre um suporte de vidro com a utilização de uma fonte luminosa. Como em <em>Parla</em>, o imediatismo da visão e das palavras é colocado em xeque e o observador é levado a um complexo exercício imaginativo. Sentidos duplos e obscuros são provocados nesse jogo de mostrar-esconder, visível-invisível, presença-ausência. Cildo nos faz desconfiar de uma das mais clássicas oposições, luz <em>versus</em> escuridão, bem como da positividade atribuída ao primeiro conceito e da negatividade sugerida no segundo. A lógica (ou a falta dela) desencadeada por <em>Obscura luz</em> parece dialogar com os versos de uma canção de Tom Zé e Élton Medeiros: “tô iluminado pra poder cegar, tô ficando cego pra poder guiar”<a href="#_ftn5" id="_ftnref5">[5]</a>.</p>



<p><em>Desaparecimentos </em>pode evocar a figura do mágico e, ao mesmo tempo, a do artista. Nesse trabalho, que pode ser lido como um filme, <em>frame </em>a<em> frame</em>, dois conjuntos de bastões dispostos lado a lado fazem desaparecer um lenço, progressivamente. É como se cada bastão congelasse um instante do processo para que o olhar do espectador seja provocando a desvendar um truque – o imperativo “veja” ressurge novamente. Em uma sequência, cinco lenços de mesmo tamanho desaparecem progressivamente ao adentrar bastão (evocando a visualidade de <em>Porta-bandeira</em>), enquanto na outra sequência os lenços encolhem até sumirem. A ausência, já discutida em <em>Obscura luz</em>, aqui retorna e se coloca de dois modos: o que se ausenta porque está escondido e o que deixou de existir. Observar novamente <em>Obscura luz</em> após alguns instantes diante de <em>Desaparecimentos</em> pode acrescentar interessantes reflexões: a sombra que se projeta se refere a um objeto oculto ou é a ilusão de algo que não existe? &nbsp;E se a sombra não for uma lacuna, mas uma presença em si?</p>



<p><em>Aladim </em>é a performance que joga com <em>Obscura luz</em> e <em>Desaparecimentos</em>. A mágica (ou truque) evocada em seu ato, bem como a expectativa de fazer aparecer um elemento (fogo e, consequentemente, luz) que, no entanto, não é cumprida, dialoga com as presenças e ausências que constam nos dois trabalhos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="400" height="395" src="https://teiacritica.com.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-inmensa.jpg" alt="" class="wp-image-2956" style="width:609px;height:auto" srcset="https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-inmensa.jpg 400w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-inmensa-300x296.jpg 300w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-inmensa-80x79.jpg 80w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-inmensa-24x24.jpg 24w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-inmensa-36x36.jpg 36w, https://teiacritica.art.br/wp-content/uploads/2024/03/CILDO-inmensa-48x48.jpg 48w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8220;Inmensa&#8221; &#8211;  do latim &#8220;sobre a mesa&#8221; &#8211; trabalho modular na forma plástica e no debate da linguagem</figcaption></figure></div>


<p><em>Obscura luz</em> foi, portanto, uma exposição que explorou a complexidade da linguagem e das imagens. A mostra clama por um demorar-se frente a objetos triviais, que são rearranjados e intitulados de maneira provocativa. E se a linguagem é nossa maneira de nos relacionar com o mundo (seja para conhecê-lo, habitá-lo ou transformá-lo), esse demorar-se frente aos objetos é solicitado pela desautomatização da linguagem e pela nossa libertação do consenso e da pura racionalidade no que diz respeito a ela.</p>



<p>Em uma conferência intitulada <em>&#8230; poeticamente o homem habita&#8230;</em><a href="#_ftn6" id="_ftnref6">[6]</a>, o filósofo alemão Martin Heideger nos faz entender que o que nos aliena não é a poesia, a ficção, mas a realidade e a linguagem automatizada, repetitiva. A poesia nos liberta e nos permite adentrar na infindável busca pelo ser e pelo sentido do habitar. Habitar poeticamente é sair do habitual. É desvencilhar-se dos sentidos fixos, pré-estabelecidos, repetitivos, que anestesiam e aprisionam o sensível.</p>



<p>Podemos dizer que <em>Obscura luz</em> é um exercício desse habitar poeticamente. O conjunto de trabalhos da mostra nos faz ouvir o apelo da linguagem e das imagens, renunciando às certezas e às assertividades. O perceber, o ver e o ser são desautomatizados. Não há consenso. Há uma interminável construção de relações entre o visível, o invisível e as palavras.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<p><a href="#_ftnref1" id="_ftn1">[1]</a> João Guimarães Rosa em carta a João Condé, publicada no Jornal de Letras e Artes em 21 de julho de 1946, sobre a gênese do livro <em>Sagarana</em>.</p>



<p><a href="#_ftnref2" id="_ftn2">[2]</a> MORAIS, Frederico. Cildo Meireles constrói um castelo – um abismo. Jornal o Globo, 10 de outubro de 1983.</p>



<p><a href="#_ftnref3" id="_ftn3">[3]</a> Considerado o primeiro historiador da arte, cuja obra <em>As vidas dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos</em>, publicada pela primeira vez em 1550, narra biografias de artistas do Renascimento.</p>



<p><a href="#_ftnref4" id="_ftn4">[4]</a> KRAUSS, Rosalind. A escultura no campo ampliado. In: Arte &amp; Ensaios, n. 17, 2008.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p><a href="#_ftnref5" id="_ftn5">[5]</a> Trata-se da canção <em>Tô</em>, gravada por Tom Zé no álbum <em>Estudando o samba</em>, de 1976.</p>



<p><a href="#_ftnref6" id="_ftn6">[6]</a> HEIDEGGER, Martin. &#8230; poeticamente o homem habita&#8230; In: HEIDEGGER, Martin. Ensaios e conferências. Petrópolis: Vozes; Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco, 2012.</p><p>The post <a href="https://teiacritica.art.br/obscuros-sentidos/">Obscuros sentidos</a> first appeared on <a href="https://teiacritica.art.br">Teia Critica</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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